sexta-feira, 24 de agosto de 2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Entrevista concedida por Eduardo dos Anjos ao zine Supercrew .Na oportunidade o poeta falou-nos de sua vida, literatura e não poupou palavras quando o assunto é leitura e poesia.

"Um livro não deixa de ser todos os livros!"


S.C.- Nome completo

E.A- Eduardo dos Anjos, não gosto de dizer o verdadeiro, (risos)

S.C.- Casado?
E.A.-Não.


S.C.- Quando começou a compor em versos?
E.A.- Comecei desde o momento que realmente tive um aprofundamento nas letras.Essa inclinação já existia em minas entranhas, mas eu a desconhecia...sempre gostei muito de ler e todas as coisas ao meu redor me chamam a atenção, é o que coloco no poema "significância".

S.C.- Todos os poetas, buscam uma fonte de estro para compor...O que o influencia?
E.A- Todas as coisas me servem de estro, mas comigo acontece algo meio que anormal, eu acho..,tudo que eu escrevo, eu ouço..É como se aquelas palavras falassem comigo, ou quisessem sair de mim.Posso estar dentro de um ônibus e escrever, ou em casa, ou em uma chuva...no momento estou apaixonado e tento escrever o que sinto(risos)...

S.C.- É uma espécie de psicografia?
E.A.- Pode ser(mais risos)

S.C.- Percebemos em sua poética, um certo tormento interior, e algumas pessoas olham a sua obra como gótica, lúgubre, macabra, etc.O que acha desses rótulos?
E.A.- Quando escrevo, quero realmente transmitir aquilo que sinto, minhas vicissitudes, meus dilemas e minha alma como um todo.Nunca podemos dizer que um poema não seja autobiográfico.Costumo dizer que não se pode mandar na inspiração.Não sou uma pessoa sorumbática, lúgubre, etc.Acho que meu “eu” lírico é assim.Tento mostrar, pelo menos em mim, os complexos da alma, as diversas fugas que fazemos de nós mesmos para o metafísico, essa grande necessidade de transcendência que todo ser humano possui.Mas creio que todas essas coisas são resultados de leituras que faço.
Mas existe também um ser que escreve e que toma “meu” nome emprestado.E isso não pode ser negado, e que não tem nada a ver com a heteronímia.Parece um ser que grita sem parar, por algo que eu não sei...parece um ser que nunca esta em um lugar definido, mas que anda por lugares...alguém que precisa se fazer conhecido em um mundo caótico, sua atmosfera é feita de canções, de eternidades e de existências.
Quanto ao termo gótico, etc, vai de cada um.Lembro que em uma apresentação na Faculdade, um amigo interpretou um poema de minha autoria, confesso que fiquei meio assustado, pois não esperava tanta coisa sombria.
Posso dizer que minha poética é engajada, contra a própria covardia do Ser em relutar diante das coisas novas!

S.C.- Pra você o que significa “literatura”?
E.A.- literatura é vida.Não usarei a definição de Pound, sobre linguagem e significado, mas esse termo, pra mim, de ums anos pra cá, se tornou o mais importante dentro do meio das letras.E é uma área, pela qual tenho um profundo respeito, pois a literatura me ajudou a descobrir-me como gente, em literatura me acho e me perco ao mesmo tempo...amo estudar literatura, ter “contato” com os homens de letras, saber da realidade das coisas e cito Monteiro Lobato: “A história de um país é feita de homens e livros”.Creio que sem leitura o homem não passa de um pedaço de carne ambulante e sem vida, caminhando sobre as pernas, mas sem saber pra onde!

S.C.- Quais os autores em literatura que mais o influenciam?
E.A.- Sempre bebo em várias fontes, pois creio que um livro não deixa de ser todos livros...Quando tive, pela primeira vez, contato com Augusto dos Anjos, senti-me profundamente impactado e cito também um grande vate maranhense chamado Nauro Machado.Também bebo em Fernando Pessoa, Zola, Gregório de Matos etc.Acho que pra toda ação existe uma reação.Se você é dado a muitas leituras, essas letras tendem a querer sair, naturalmente, ou em uma área ou em outra.É uma árvore de vários galhos.

S.C.-Você acha que a internet tem servido de fonte de ajuda para a divulgação da literatura?
E.A.- Claro.Todas fontes são válidas, pois se compararmos o que temos hoje com o Sec. XIX, por exemplo, nosso acesso é bem maior.Existem grandes sites e comunidades que fazem um ótimo trabalho em relação à literatura.E com a criação de blogs, o poeta pode mostrar seu trabalho de uma forma singular.Isso não que dizer que não haja nesse meio, muita imaturidade, pois não podemos confundir crítica, com asneiras ou coisas do tipo.E algumas pessoas se sentem ameaçadas com o talento de outras, confundindo análise com lado pessoal.Posso não gostar de Machado de Assis, mas isso não significa que ele não seja o melhor do Brasil em prosa.Tenho que deixar meu orgulho fétido de lado e agir com razão!


"Para a leitura, falta um maior incentivo por parte dos educadores...e esforço das pessoas!"



S.C- Você, em sua obra, não prioriza a forma.Achas que isso é um impedimento, para a divulgação de tua poesia?
E.A.- De modo nenhum.Sou bem modernista nesta questão e bem adepto do romantismo, no que tange à liberdade de expressão.Não condeno quem faz da forma sua força motriz, mas creio que tanto sonetos como versos brancos e livres, podem conviver de uma forma harmoniosa.Veja por exemplo Fernando Pessoa.Encontramos em sua poesia sonetos e verso livres.E não é por isso que ele deixa de ser o maior da língua portuguesa.Escrevo também sonetos, mas sem métrica.Só com rimas.

S.C.- Você acha que alguns escritores que passaram pela academia, tendem a escrever poesias ou prosas mecânicas ?
E.A- Não.De forma nenhuma, pois os poetas que temos como consagrados no Brasil, desde os séculos passados, eram formados.Por exemplo: Augusto dos Anjos era do direito,Guimarães Rosa da medicina e por ai vai.Se isso de fato é um “dom” fluirá logo, sem demora, claro que com leituras diversas.Quem é poeta é poeta de fato, pois Pessoa abandonou o curso, e quem é medíocre é de fato e de verdade!

S.C-Como tem sido a repercussão de seus dois livros: Os Túmulos do Profeta de Veleidades do Aqui Jaz?
E.A- Têm sido boas, até aqui...Tenho divulgado-os bastante pela internet, claro que não os livros completos, mas os poemas...Faço a divulgação através de algums blogs, e comunidades.Algums seres tem elogiado bastante, outros criticado.Mas procuro sempre analisar o nível da pessoa que os critica, pois se a crítica parte de alguém que sabe o que diz, é louvável, mas se não sabe, como aproveitá-la?.Afinal de contas, Castro Alves foi indicado a Machado de Assis, através de José de Alencar...Vejo que alguns seres criticam mais por inveja ou sei lá o que...para esses não resta mais esperança, mais uma rota cripta sem epitáfio.

S.C.- A algum projeto de transformá-los em e-book?
E.A- Até o presente momento não.Pretendo editá-los e divulgá-los no formato impresso.Mas futuramente quem sabe...

S.G- Já existe o parto de um terceiro livro?
E.A. Claro, estou finalizando o “Veleidades” e partindo para um terceiro.Ainda não cheguei ao estado de que fala Nauro: o de escrever por uma questão de vida ou morte.Mas chegarei lá.

S.C- Como você avalia o ensino de literatura hoje, nas escolas?
E.A- Eu diria, até por trabalhar na área como docente, que ai se encontram, o que chamo de três Ps: Parco, paupérrimo e porco.
Quando falamos em análise de obras, poemas, etc,há um resistência muito forte por parte de algums alunos, não todos, é claro.Literatura é símbolo de “perda de tempo” e “enchimento de saco”.Creio em parte que a culpa é do próprio professor, que não incentiva a leitura.
Fui dar aula em uma escola, onde fui indagado a respeito de como se ensinar letras para um turma de adolescentes que não gosta de ler.Quando citei Machado de Assis e sua pouca educação, o pseudo-professor-entrevistador, cortou-me e disse que eu estava fugindo do assunto, que o seu método era tradicional, e que os professores em sua escola, davam aulas sentados na cadeira...eu ia falar que pra se estudar, tem que ter esforço, mas que podemos criar mecanismos para que o aluno aprenda e a aula não se torne fria.
A culpa dessa mediocridade que existe, é desses Calígulas imundos que não tem a prática de ler e querem motivar a leitura.
Conheço professores de letras que preferem a língua portuguesa à literatura.Tudo bem, questão de gosto não se discute.Mas tem que haver uma maior valorização da matéria.
Já em outra turma um homem, escrevia pegando a caneta com todos os dedos da mão direita, por ter tido Ler nas duas mãos.Mas se mostrou totalmente sensível à crítica literária...ainda bem que não são todos os alunos que são sem sensibilidade.
Falta um maior incentivo por parte dos educadores e esforço por parte das pessoas.

S.C.-Quantos livros você chega a ler por dia?
E.A- Em média três, mas de assuntos diferentes.Geralmente um romance, um de teoria e outro de poesias.

S.C- Você admira aquilo que escreve?
E.A- Clarice Lispector dizia, que depois de prontos, ela não gostava de ler seus manuscritos... algumas coisas que escrevo eu gosto, como o Veleidades do Aqui Jaz, que na minha opinião, até agora, representa amadurecimento.Mas outras coisas eu rasguei, me deram raiva e assim vai.

S.C.- Em sua poética, você raras vezes versa sobre o amor, por que?
E.A.Talvez por ser coisa da própria inspiração.Mas amo(risos) como todo mundo....
O que escrevo sobre o amor, são coisas “direcionadas”, para um determinado fim.Por exemplo, tenho cinco poemas de amor chamados que foram escritos em direção a um ser...em específico...e que amei fazê-los.
Acho que o meu “eu” lírico não se importa muito com o amor(risos)

S.C- Esses poemas virarão um livro à parte?
E.A.- Não sei, pode ser.Tenho mais três poemas escritos com o mesmo título...

S.C- Dentro de literatura, quais os temas que mais te interessam?
E.A- Leio de tudo, só não bula(risos).Mas gosto em particular de romances de cavalaria, tais como Don Quixote, Eurico o presbítero, amo Eça de Queiros e seu realismo ferino, a literatura Hugoana também é fantástica.Eu digo que todos os livros em literatura são bons, mas existem aqueles que demandam uma leitura mais acirrada e uma técnica mais aprofundada.Por exemplo: ler Lima Barreto não é a mesma coisa que ler Joyce.Me interesso também por criminalidade, não sou criminoso( mais risos).Eu li recentemente o Rota 66, do Caco Barcellos e achei bárbaro.Acompanhei, pela tv, a prisão do Abadia, e fiquei grudado na tela.Me interesso muito por esse tipo de reportagem, apesar de não gostar muito de romances policiais, excetuando-se Edgar Allan Poe, é claro.Alguém me disse que eu deveria ser advogado ou policial.


"Acho que o meu eu lírico, não se importa muito com o amor!"



S.C- Na sua opinião qual a importância dos afarrabistas, ou o popular sebo, para o incentivo da leitura?
E.A- Muita, claro.Pois além de tornar o acesso ao livro mais em conta, por causa do preço, oferece uma gama de opções...eu mesmo sou “sebófilo”, volto com as mão sujas de poeira, mas estou sempre lá.Se cada um de nós tivesse a famosa prática de ser “rato de biblioteca”, lucraríamos mais na leitura.Conheço doutores em literatura que começaram assim e não se envergonham de terem sido “ratos”.


"Posso dizer que minha poética é engajada, contra a própria covardia do Ser em relutar diante das coisas novas"


S.C- O que você acha da propagação da “literatura de auto-ajuda” , ajuda a fazer leitores?
E.A- Essa é uma questão muito complexa, pois pra algums Harry Potter pode ser uma boa “isca” pra quem quer de fato ler.Lembro-me que uma colega disse um dia, em uma roda, que com certeza Harry Potter iria,algum dia, se tornar uma grande literatura.
Na minha opinião, Esses tipos de livros, são lidos por quem não tem o hábito sério de ler.Ou será que autores como esses, ou ainda aquele tal “mago” se preocupam com analise de personagens, com conflitos psicológicos, com a narrativa, o enredo, com a crítica? A sua literatura tem uma função? Está inserida e uma escola? Foi influenciada por algum período da história? Ou só se preocupa com números e dividendos?
Com certeza quem lê Harry Potter, Não consegue ler Grande Sertão Veredas.Mas questão de gosto, como já falei, não se discute, se lamenta!


S.C- Você sonha em tornar-se um grande escritor?
E.A- Todos os poetas que conhecemos escreveram para a glória.Eu não diria um grande escritor, mais ter os meus livros lidos e apreciados, me fariam bem.

S.C Perguntas rápidas

S.C-Em primeiro lugar:
E.A- Deus

S.C- Uma paixão:
E.A- literatura.

S.C- Um autor em prosa:
E.A- Emile Zola

S. C- Filmes:
E.A- Uma Mente brilhante e atualmente 300

S.C- Uma comida
E.A- Todas


S.C- Um esporte:
E.A- ciclismo.

S.C- Uma música:
E.A.-Noites com Sol, Flavio Venturini.

S.C- Um Sonho:
E.A- Ser PHD.

S.C- Uma decepção
E.A- Parar de ler por alguns meses.

S.C- Um defeito:
E.A- Não ser eu mesmo.

S.C- Uma qualidade
E.A- Ser eu mesmo.

S.C. Um autor:
E.A- Augusto dos Anjos

S.C- Um livro:
E.A.- Tereza Raquin- Zola

S.C- Qual conselho você daria para os escritores que são incipientes e que querem ingressar nas letras?
E.A- Posso dizer que também sou iniciante.Mas recomendo muito estudo, leitura,etc.As coisas só se desenvolvem com a prática.Se você sente que tem essa inclinação, ou para poesia ou para a prosa treine, pratique, mas lembre-se: o caminho é árduo e as vezes as dificuldades são os próprios entes, ou você mesmo.Nunca desista.
Posso dizer que por isso estou aqui, porque acredito em algo.E ao final diremos como Pessoa: “Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena!”.Mas passe o Bojador.Obrigado.

* Entrevista concedida a Adriano Leonardo: graduado em comunicação e editor chefe do zine Supercrew.

* Eduardo dos Anjos é maranhense, poeta, crítico literário e possui dois livros: Os Túmulos do Profeta e Veleidades do Aqui jaz

domingo, 29 de julho de 2007

BASTARDIA

Existem pessoas que nos passam... Remover formatação da seleção
Iguais a nós.
Existem os que nunca passam
de nós.
O garoto com a trouxa de roupa
por exemplo...

Existem aqueles que são,
e os que também fingem
ora, todos fingem, pois são
fingimentos em outros sentidos.

Existem também aqueles que
nos passam, sem seus próprios
dias, não contados e nem vividos:
são sempre assim!

Pois contar e viver os dias
é fingimento, mas sem cor!
dizer a alguém o que se passou
ontem:não é real e nem ilusório
apenas fingimento.

Quem chegou a morrer de fato
e de verdade?
prove então, ou cale-se em dois!

Nunca estaremos sós...
sempre existirá um “eu mesmo,
nós mesmos”...

Eu vejo sempre várias coisas
que se findam
sem nunca me dizerem porque
por que não conversam comigo?

Estou dentro de uma sala
fria e colonial, de fim de dia.
Secou-se meu tempo
.........................................

Há alguém ai?
me ouça!há alguém?
ninguém!
calma!

- Nós nunca estivemos fora!

Mas então onde estavam vocês
quando precisei?
não sei!

Eu nunca sei, não posso.
segurem em minha mão.
podem segurar, acalmem-se
aqui está claro
não há perigo.

Vocês estão fingindo!

A quem pertence essa ilusão?
a mim?

- Não, a nós!nós mesmos
a fizemos pra você!

Quem são vocês?

- Somos sempre um pouco
e algum longe!

- Você estava longe!

Não nunca estive, não podia
estar, eu dormia sempre.Ninguém
bateu.

- Ainda pensas que isso é um fim?
como podes achar isso?
È s um fraco.Não vês que todas
as épocas são diversas e mortas?
não vês?
nada vês!

Somos dois esqueletos em retirada
somos apenas fósseis...
partidos em três, e que discutem
sem parar.
criaram em nós (sem ver-nos)
nossa mentalidade pura...

E não sabemos para onde ir!
estamos sós e ardemos.

As palavras mentem!
todas elas são como um
lago em vias abertas:
elas mentem.
Sempre mentiram, e
como poucas.
odeio as palavras
preciso de ajuda!

As minha feridas antigas
de escarninho se abriram
em todas as portas.
Elas se escondiam
da rigidez de minha noite
sem minha natureza.

Sempre em extensão
de ponte em asilo
de constância morta.

Eu vi o cheiro da chuva
caindo em represália
de minha nação...
(como o vento)
na vida dos seus elementos
distinto de duplas vias
investindo em cima
de meu delírio e atacando
minha cinefilia...

Meu pânico era inquebrável
e dourado em outros...
como hidratando e
amando loucamente
em núpcias minha
carcaça: inimigo meu!

Canseira de em a toa
e por trás de meus
perfumes de aurora
morta e enlouquecida
como duas mulheres
sem filhos abortados
ainda jovens, mas
convictos.

Ah, meu apogeu de
terra...
em minha inútil morte
de espetáculo vespertino
de um turno só.
Preenchendo as cadernetas
sem falta de meu óbito
em presença.
e colocando faltas de
simulacro em minha
chamada...

Planta partida de
promíscuo sentimento
mas que ama
mesmo aqueles
que nunca me regam
em adeus congênito...

Era como estar morto
dentro de si
mas depois sair
para comprar presentes
de despedida em síncope
sem ninguém saber

iniqüidade amiga
que falava inglês e
recitava versos aos
meus trinta por cento
aprisionados...

sexo imundo, feito
em montanhas enormes
sem fora nem dentro
e memória(pra que?)
porque em resposta.

Duplamente insepulto
em dias, ingênito e
colérico, abençoado
em demência externa
de se fazer inveja
a muitos fins lucrativos
de cabelos crespos
e olhos vermelhos.

Olhando para a rua que
implorava por carinho
e ninguém dava,
tenho pena da rua
rua de secretos
aniversários coesos(obesos)
de final de ano
rua decrépta de
muitos pacotes de
instrumentos a fundo
rua incerta de terceiro
Prêmio...

Rua que aperta
e que chora sem parar.

Rua, eu grito, rua de novo
rua, minha rua , rua onde estás?
ruuuuuuuuuuuuaaaaaaaaaaa?
não acredito que te mataram
não, não pode ser
mataram minha rua
e agora como fico
não minha rua, porque
porque fizeram isso de ti
eras tão bonita, minha rua
por que, por que?

alguém por favor me
diga: o que aconteceu?
o que houve?
ela se defendeu?
ela chorou?
ninguém sabia!

.......................................

Já se passaram muitos
e não mais existe minha
rua.Ela morreu no dia...
deixou muitas saudades
muitas preces, muitos
abraços

Os assassinos de minha
rua não foram pegos
e hoje só lamentamos
sem minha rua.

Pobre coitada, imediatista
e trabalhadora fiel de
anos a fio.
carta de alforria que
ninguém assassinou...

Eu quero o mundo
quero-o muito
e quero-o bem!

domingo, 8 de julho de 2007

SONETO

Se te mostras fraco no dia da batalha
Quem se importa?
Não vem um rato (sequer) bater-te à porta
Mas existe sempre um asno a chamar-te de canalha!

A vida é um combate sempre inútil
E quem de fato quer saber?
Pois nunca de fato te irão dizer
O quanto és (de fato) sempre fútil!

A vida morreu em um nunca: ontem
E a cada hora morremos (sós) com ela
Morremos a partir dos nove meses

A vida morre sempre pra si mesma
A vida morreu como uma lesma
Morri também noventa e nove vezes!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A MINHA FLOR CALOU-SE DESDE ENTÃO

A minha flor calou-se em um monturo
Por isso sou amargo desde então
Procuro ainda (somente) minha razão
Procuro meus pedaços num futuro.